sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

FAMÍLIA

de Francisco Azevedo

Família é prato difícil de preparar. São muitos
ingredientes.Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no
Ano Novo.Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige
coragem, devoção e paciência. Não é para qualquer um.



Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de
desistir.

Preferimos o desconforto do estômago vazio. Vêm a preguiça, a conhecida
falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio. Mas a
vida, (azeitona verde no palito) sempre arruma um jeito de nos
entusiasmar e abrir o apetite.



O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares.
Súbito, feito milagre, a família está servida.



Fulana sai a mais inteligente de todas.Beltrano veio no ponto, é o mais
brincalhão e comunicativo, unanimidade.

Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo.

Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante.

Aquele o que surpreendeu e foi morar longe.

Ela, a mais apaixonada.

A outra, a mais consistente.
E você? É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me
fazer companhia. Como saiu no álbum de retratos? O mais prático e
objetivo? A mais sentimental? A mais prestativa? O que nunca quis
nada com o trabalho? Seja quem for, não fique aí reclamando do
gênero e do grau comparativo. Reúna essas tantas afinidades e
antipatias que fazem parte da sua vida. Não há pressa. Eu espero.
Já estão aí? Todas? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua,
a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também
estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar.
Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria,
de raiva ou de tristeza.


Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco.
Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase
sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao
paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa.


Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso
ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre. Família é prato
extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem
medido.



Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional.
Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a
colher é verdadeira arte. Uma grande amiga minha desandou a receita
de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada.


O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família
perfeita.
Bobagem. Tudo ilusão. Não existe Família à Oswaldo Aranha;
Família à Rossini, Família à Belle Meuniere; Família ao Molho Pardo,
em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria.
Família é afinidade, é à Moda da Casa. E cada casa gosta
de preparar a família a seu jeito.

Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas.
Há também as que não têm gosto de nada, seriam assim um tipo de
Família Dieta, que você suporta só para manter a linha.
Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente,
quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.


Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai
aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a
dia.
A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui,
que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança.
Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu.
O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça,
por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que
experimentar
e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas.
Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça,
no alumínio ou no barro. Aproveite ao máximo.
Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.



"Se tivéssemos consciência do quanto nossa vida é passageira,
talvez pensássemos duas vezes antes de jogar fora as oportunidades
que temos de ser e de fazer os outros felizes".

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Pato Fu "Sobre o Tempo" Música de Brinquedo @ Rio de Janeiro



A melhor música para refletir sobre o tempo.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

D.O.M. Degustação


Depois de muito adiar por vários motivos, resolvi ir adiante em minha viagem ao mundo gastronômico pelos sabores do Brasil e quem sabe pelo mundo.

A primeira incursão foi no RS, da chef Roberta Sudbrack, post anterior, http://meuspensamentoseideias.blogspot.com/2010/05/experiencia-sudbrack.html

E nada mais interessante, do que o Restaurante D.O.M , do chef Alex Atala, o 18 melhor restaurante do mundo, segundo a S. Pellegrino World's 50 Best Restaurants.


A necessidade de um planejamento prévio, pois o Restaurante fica em São Paulo e sempre tem fila de espera.
Passagem marcada e com as reservas feitas.

Ir a Sampa num feriado é uma experiência! Recomendo.

Reunir com os amigos para um noite do melhor da gastronomia, nada melhor.

Chegamos ao restaurante na hora da reserva e no meio de um feriado o restaurante estava lotado!! Famílias, casais, amigos. Todos reunidos para desfrutar os sabores do Brasil.


Já apostos em nossa mesa. Iniciamos os trabalhos.

O staff iniciou o serviço com gostosos pães e pastas. Um alho assado, caramelado, simplesmente divino!

Os pratos todos com toque Brasileiro! Uma ode ao Brasil!

Pedi um atum com crosta de gergelim preto acompanhado com pupunha ao funghi. Delicioso. Atum grelhado ao ponto.



Depois de uma refeição perfeita. Era merecido uma sobremesa perfeita.

Pedi uma Priprioca. Difícil explicar o que é. Melhor ver a foto da sobremesa.


É um sortimento de sabor: Um pudim de leite + musse de limão e banana Ouro + um pedacinho de algo indecifrável - este eu não lembro o nome.

Assim fechava minha noite num jantar cheio de sabores, sorrisos e brilhos nos olhos em cada prato degustado.